sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

SEM LUVAS


Sem luvas

 

 Ali na cama férrea, estirado,

Beijo gelado numa frase rouca;      

Nada de novo nesta tenda louca:

‘Chave de grife’, abraço bem apertado!

 

Sem luvas pra dormir, vestido em touca,

Num gemer de motor, mais pra chiado,

Com parafuso frouxo atarraxado;

Tão leve no vagar, quase sem roupa!

 

Com a blindagem mesmo a contra gosto,

Na urbanidade não passa de lenda,

Perfeito encaixe pra chave de fenda!

 

Oficina de gente não tem rosto,

Juntam-se as peças que antes partida,

Arria os pneus pela sua querida!

Zé Salvador.

05-04-15

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