domingo, 13 de outubro de 2013

O FORASTEIRO E SEU FETICHE



Era assim o "Rameiro" no passado,
Perdia todo o seu  tempo no puteiro
A tiracolo, sempre uma mulher;
Rapariga, na sua mão era dinheiro.
Fazia uso do mistério, o bom vivant,
Nunca se soube o nome verdadeiro!

E naquela cidade o forasteiro,
Meio bardo, trovador, quase Aedo,
Dedilha um cavaquinho ao invés da lira;
Mantendo a sete chaves seu segredo
Vestia larga, a camisa do feliz,
Pois, era voluntário, o seu degredo!

Malemolente, na pachorra, quedo,
A pressa de viver não existia;
Puxando pela mente, fazia versos,
Tinha alguns sonhos, tinha fantasia
E quão enorme, não seria a surpresa
Se descobrissem tudo isso um dia!

Tão pacato, sem zanga, ele vivia,
A sua cartilha fora a gentileza;
A amizade trazida à flor da pele...
Mas, por mulheres tinha uma fraqueza,
Sendo fundamental na boa vida,
Um traje que talvez, cause estranheza!

Não pra vesti-lo, com toda certeza,
Mas, apreciá-lo fora da modelo.
Quanto menor e sendo transparente,
Mostra interesse com maior desvelo;
Se de uma amante furtava o presente
Não demorava pra grifar seu selo!

Bem esquisito, fosse talvez vê-lo,
No seu abrigo com sua investida
Á peça intima que furtara um dia;
Se mais usada, tinha ação sortida!
Seu segredo: o fetiche de gostar
Do cheiro de calcinha, já vestida!
Zé Salvador.



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